São Roque Supermercados – História

História

  •   Fevereiro 10, 2015

Contar a história do São Roque Supermercados é mais do que falar de um caso de sucesso em 42 anos de empreendedorismo. É relembrar o passado e o desejo de quatro homens que lutaram juntos para oferecer um serviço diferenciado a uma cidade do interior. É reviver os momentos que se passaram durante essas quatro décadas e valorizar as cabeças pensantes que um dia desejaram mudar e, juntas, concretizaram este sonho. É mostrar que a confiança, a persistência e a disciplina foram fatores importantes para unir pessoas diferentes, mas que tinham um único objetivo em comum: o de era gerar bons resultados para a empresa oferecendo os melhores produtos aos seus clientes.

Conheça melhor nossa história:

Loja Matriz, a primeira loja, inaugurada em 1974.

Loja Matriz, a primeira loja, inaugurada em 1974.

Antes de 1974 – Os Fundadores

Descrever toda a árvore genealógica das famílias fundadoras do São Roque Supermercados seria indispensável para um registro histórico. Contudo, basta dizer que quatro homens, que moravam no bairro Canguera, iniciaram uma nova trajetória quando, em meio aos armazéns e adega, decidiram dar inicio a um grande empreendimento.

Benedito Godinho (Zito), Aristeu de Góes, Antônio Marchi (Mingote) e Benedito Marchi Filho (Dinho) tinham conhecimentos e experiências diferentes. E, apesar de cada um ter seu próprio negócio, todos eram empreendedores e possuíam a mesma visão de um futuro promissor. O marco destes 40 anos foi quando eles uniram suas habilidades para iniciar uma história que escreveram juntos.

As famílias moravam no mesmo bairro e, apesar do parentesco e proximidade, nunca tinham dividido o mesmo comércio. Zito e Alzira Godinho eram os donos da Adega Primavera, pais de oito filhos, que viviam e trabalhavam junto à família. Aristeu e Ernestina Góes tinham o armazém São Paulo, junto com suas três filhas. Benedito e Maria Marchi tinham outro armazém, também com oito filhos, sendo que dois deles, Mingote e Dinho, foram os que lideraram os negócios junto com os tios.

O vinculo sanguíneo era dado pelos irmãos: Alzira Godinho, Maria Marchi e Aristeu de Góes, mas quem se uniu pensando em abrir algo diferente, rentável e que trouxesse benefícios à cidade foram os cunhados Zito e Aristeu com os sobrinhos Mingote e Dinho. Com a percepção de que não estava distante a evolução na venda de alimentos, os quatro encabeçaram uma forma de investir e se enquadrar nos futuros padrões.

40 anos depois, quando os familiares e amigos são questionados a respeito da personalidade de cada um dos fundadores, muitas qualidades são ressaltadas. Alguns dizem que eram “lideres”, outros retrataram como “ousados”, mas o termo que prevaleceu foi: “sempre estiveram à frente do seu tempo”. É assim que tanto a família como os atuais dirigentes enxergam aqueles que de fato construíram esta marca.

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Mingote, o visionário.

Mingote foi o apelido que a avó deu carinhosamente para Antonio Marchi, como ele mesmo conta com saudades. Nascido em 13 de junho de 1935, filho de Benedito Marchi (falecido em 1969) e Maria Augusta Góes Marchi (falecida em 1999), casou-se com Cecília Augusta de Camargo Marchi, com quem teve apenas um filho, Roberto de Camargo Marchi. Com a morte precoce do pai, ele assumiu a liderança na família e, junto com os irmãos, Benedito (Dinho), Ézio, Maria Luiza, Adélia, Rosa Maria, Aurora (Lita) e Aparecida (Cilinha), matinha um armazém no bairro Canguera.

Naquele período a venda era feita a granel, ou seja, se vendia alimentos básicos por quilo. O cliente só pagava uma vez ao mês e, às vezes, uma vez ao ano. Como Mingote ia frequentemente para São Paulo buscar mercadorias para o seu armazém, em uma destas viagens conheceu um supermercado, onde o cliente adquiria o produto já embalado e pagava no ato da compra. “Fiquei interessado naquele sistema pegue e pague, queria me livrar do fiado e vi que aquele era o futuro do meu armazém. Comprei um local no centro de São Roque e comecei a me programar para investir num supermercado”, ele lembra. Mesmo debilitado pela idade, Mingote não esquece o início da sua história como empreendedor e a vontade que tinha de crescer.

Para montar seu próprio supermercado ele já tinha o prédio na cidade e também já havia comprado as gondolas para expor os produtos. Neste período, Mingote foi convidado pelos tios, Aristeu de Góes e Zito Godinho, a fazer parte de uma sociedade. Vendeu o que tinha e, juntos, eles adquiriram outro espaço, próximo à praça dos expedicionários, onde está localizada até hoje a primeira loja do São Roque Supermercados. “Nunca tive medo de arriscar um novo negócio. Eu estava disposto a começar do zero para ter um supermercado e fui o primeiro a ter esta ideia, por isso me convidaram”, relembra. Dentre as características dos fundadores, Mingote é lembrado como o mais reservado, porem muito trabalhador e companheiro da equipe. Foi ele quem convidou o irmão Benedito Marchi Filho (Dinho) para fazer parte da sociedade.

Mingote ao centro da foto, atendendo na famosa "feirinha".

Mingote ao centro da foto, atendendo na famosa “feirinha”.

 

Mingote foi o primeiro idealizador de um supermercado em São Roque.

Mingote foi o primeiro idealizador de um supermercado em São Roque.

Mingote visitando o Centro de Distribuição do São Roque Supermercados, em 2014.

Mingote visitando o Centro de Distribuição do São Roque Supermercados, em 2014.

 

 

 

  Zito Godinho, o precursor.

Benedito Godinho, apelidado de Zito, nasceu e cresceu no bairro Canguera, onde trabalhava carregando cargas de carvão. O primeiro sinal de empreendedorismo, segundo relatos de pessoas próximas, foi quando viu a possibilidade de produzir o próprio carvão para vender, e assim o fez por um longo período. Posteriormente, já casado com Alzira Godinho, iniciou a produção de vinhos com a família da esposa. Conheceu todos os processos de plantação, colheita e engarrafamento do produto. Especializou-se com a prática e vivencia deste setor. Conheceu os diferentes procedimentos, desde o moer manual da uva para extrair a matéria prima, até a extração elétrica do suco. Por fim, fundou a Adega Primavera que distribuía os mais variados vinhos para a região de São Roque.

Apesar da estabilidade e segurança, “Zito vinhateiro”, como ficou conhecido depois da adega, não se acomodava. Assim como aprendeu na prática, ele ensinou aos seus oito filhos todas as técnicas de produção, engarrafamento e venda de vinho. Sérgio, Amaro, Efaneu, Luiz Gonzaga, Sônia, Carlos, Maria Elisabete e Flavio, que também cresceram em Canguera, foram os responsáveis em dar continuidade aos trabalhos da Adega Primavera. Zito era a referencia da sua família, possuía um senso de liderança natural e a sensibilidade de usufruir as oportunidades que apareciam.

Em 14 de outubro de 1981, aos 59 anos, Zito não resistiu e faleceu de câncer no esôfago. O maior incentivador do supermercado só acompanhou o crescimento da empresa até a segunda loja, em Mairinque. Com uma visão diferente para os negócios, ele foi, sem duvida, a maior inspiração para os demais. “Zito foi nosso esteio, ele fazia de tudo pela família e pelos sócios. Ele era meu cunhado, mas foi mais que um pai pra mim. Hoje devo tudo o que sou e o que tenho a ele”, conta Aristeu. Mesmo em memória, Zito ainda tem o respeito e admiração de todos os filhos que sustentaram e mantiveram seu nome nos negócios da família. “Meu pai era uma pessoa dura, mas muito honesta, gostava de tudo certo. Ele incentivou e arriscou tudo para oferecer o melhor para o grupo. Uma pessoa que tinha credibilidade, mas que não perdeu a simplicidade. Ele conversava com todo mundo no mesmo tom, independente se fosse os amigos de bar ou o governador”, conta um dos filhos.

Zito na Adega Primavera.

Zito na Adega Primavera.

Zito Godinho com um dos filhos e funcionários da Adega Primavera.

Zito Godinho com um dos filhos e funcionários da Adega Primavera.

Ao centro a esposa de Zito, Alzira (em memória) e os oito filhos do casal.

Ao centro a esposa de Zito, Alzira (em memória) e os oito filhos do casal.

 

  Aristeu de Góes, o empreendedor. 

Aristeu foi motorista de caminhão, agricultor, vendedor de adubo, trabalhou em adega de vinho e, por fim, abriu um armazém, também no bairro Canguera. Torcedor roxo do tricolor, ele escolheu o nome “Armazém São Paulo” para o seu negócio. Nascido em 02 de novembro de 1927, é filho de Firmino de Moraes Góes e Jovina Ramalho de Camargo. Atualmente tem 87 anos, dos quais é casado há 61 com Ernestina Soares de Góes, com quem teve três filhas: Neusa, Telma e Ana.

O sistema de venda era o mesmo dos demais armazéns da época e o formato de pagamento era o fiado, ou seja, vendia os produtos por quilo, mas só recebia anualmente. “Minha rotina era tranquila e eu achava que entendia tudo de comércio, mas quando Zito me convidou para abrir um supermercado, eu descobri que não sabia nada”. Aristeu vendeu o armazém e, com a esposa e as três filhas, mudou-se para São Roque a fim de iniciar sua nova empreitada. “Lembro a nossa primeira conversa para investir em uma área na cidade e montar um supermercado. Tive muito medo e quase desisti, afinal era arriscado e eu não tinha recursos financeiros. Eu tinha meu próprio negócio em Canguera, que era pequeno e ganhava poucas vezes no ano, mas tinha estabilidade. Vender meu comércio e arriscar foi uma decisão difícil, porque se não desse certo, eu perderia tudo e ainda ficaria cheio de dívidas”.

Segundo Aristeu, foram os sócios Zito e Mingote que o encorajaram a continuar. Ele ainda lembra com clareza a insegurança que teve naquela época, sentimento este que só foi desaparecendo com o tempo, graças ao incentivo que recebeu dos sócios e amigos. Foi aos 47 anos que decidiu dar início à sua história no supermercado e não se arrepende de todo o tempo e esforço que dedicou na empresa. “Jamais passou pela minha cabeça que o São Roque Supermercados daria tão certo e chegaria aonde chegou, por isso, hoje digo que valeu todo o sacrifício”.

Aristeu (à direita) no Armazém São Paulo, o qual manteve até 1974, em Canguera.

Aristeu (à direita) no Armazém São Paulo, o qual manteve até 1974, em Canguera.

No São Roque Supermercados uma das funções dos donos era entregar mercadoria com a combi.

No São Roque Supermercados uma das funções dos donos era entregar mercadoria com a Kombi.

Aristeu durante evento, em 2014.

Aristeu durante evento, em 2014.

 

 

 

 

 Dinho, o realizador.

“Se o Dinho estivesse vivo, ele ficaria muito orgulhoso de ver o sucesso do São Roque nestes 40 anos”, diz Emília Maria Marchi, esposa dele. Benedito Marchi Filho nasceu em 28 de fevereiro de 1950. Depois de diagnosticado um câncer no intestino, acompanhou o crescimento da empresa até sua sétima loja, falecendo em 24 de agosto de 1999. Além da esposa, deixou dois filhos: Marcelo e Renata. “Meu pai vivia para o trabalho e, quando o supermercado passou a abrir de domingo, ele ficou feliz, porque iria trabalhar sete dias da semana”, conta Marcelo.

Adquiriu experiência no comércio trabalhando no mesmo armazém que o irmão Mingote, em Canguera, o mesmo que o convidou para fazer parte da sociedade no supermercado. Os dois dividiram a cota e juntos aceitaram o desafio de abrir um novo negócio com os tios Aristeu e Zito. Contudo, Dinho não quis deixar o comércio da família em Canguera e decidiu não se mudar para São Roque junto com os demais sócios em 1974. Ele começou de fato no supermercado um ano depois da inauguração e só saiu quando ficou debilitado pela doença. As funcionárias Regina e Maria José, que trabalharam diretamente com ele, lembram a rotina naquela época. “Ele gostava de tudo certo, sonhava que o crescimento da empresa fosse planejado e ordenado e fazia sua parte pra isso acontecer. Ele colocava as regras, era sistemático e guardava todos os preços e códigos de cabeça. Dizia que o departamento de compras (o qual era responsável) era o coração da empresa, ou seja, se algo saísse errado dali iria errado até o final. Era tão preocupado com tudo que, quando ficou impossibilitado de trabalhar por causa da doença, nós íamos até a casa dele para deixa-lo informado de tudo o que estava acontecendo”, contam.

Segundo a esposa, Dinho era muito nervoso e fechado, mas muito honesto e trabalhador. Não misturava os assuntos do trabalho com a família, mas ela notava quando ele estava sofrendo por algum problema da empresa. “Ele era muito comprometido, gostava do que fazia e sonhava em ver o supermercado crescer. Falava que um dia iria trabalhar menos, que no futuro iria reduzir a marcha, mas eu duvido muito que conseguiria”, ela conta. “Ele sempre achou que a empresa merecia ter um grande depósito. Quando foi comprado o terreno onde hoje é o Centro de Distribuição, ele ficava imaginando como seria, mas infelizmente não chegou a ver a obra finalizada”. Para o atual diretor, José Rodrigues Santiago Neto, Dinho era cauteloso e tomava decisões com sabedoria.  “Sem dúvida ele foi uma referencia aos demais”, comenta. “No ano em que o São Roque completa seu 40º aniversário, faz 15 que Dinho não está mais conosco”, conclui.

Dinho durante confraternização com os colaboradores do supermercado.

Dinho durante confraternização com os colaboradores do supermercado.

Nas rápidas férias que Dinho tirava, costumava viajar com a família.

Nas rápidas férias que Dinho tirava, costumava viajar com a família.

Dinho (no canto direito) e Mingote (ao centro, de branco) com os demais irmãos.

Dinho (no canto direito) e Mingote (ao centro, de branco) com os demais irmãos.

 

 

 

 

 

 

 

Uma relação de confiança 

“Para iniciar este negócio foi preciso muita confiança entre os sócios”. Esta é uma frase comum de se ouvir dos familiares que contam um pouco da história. De acordo com eles, todos os filhos contribuíram no início, mas Zito, Mingote e Aristeu precisaram ter pulso firme e liderança, afinal era uma empresa familiar que estava nascendo. “Eram muitos envolvidos, filhos, netos, agregados, foi natural haver desavenças e discordâncias, mas todas elas foram muito bem resolvidas. O que prevaleceu sempre foi a confiança”, relata um dos dirigentes.

O cenário na década de 70 era diferente. O sistema de negociação num armazém era caseiro, conhecido como “secos e molhados”, literalmente baseado na amizade entre o vendedor e o cliente. Alimentos eram fornecidos por quilo e adquiridos a granel. Bastava um balcão com um atendente para vender produtos básicos, como arroz, feijão, açúcar e óleo, os quais eram pesados e entregues na mão do consumidor. O pagamento era mensal ou, muitas vezes, anual. Naquele período a maioria dos clientes vivia de plantação de uva e era preciso esperar o tempo de safra para ter dinheiro e pagar as dividas do armazém.

O funcionamento atual de um supermercado, no qual o consumidor pega seu próprio produto na prateleira e paga na saída da loja, era novidade naquela época. Habituados ao sistema manual e às cadernetas que levavam meses para serem quitadas, foi um grande desafio para os três sócios começarem um novo negócio, do zero e com pouca experiência.

Hoje as equipes possuem ferramentas de trabalho que geram conforto e segurança. Temos também a tecnologia que ajuda na execução dos serviços. Mas, para chegarmos até aqui, foi preciso muito esforço físico, pois era tudo manual e não existia um cargo para cada pessoa. Naquela época, éramos compradores, repositores e vendedores, tudo ao mesmo tempo”, detalha um dos sócios, que hoje lembra com orgulho do passado sofrido.


Matriz: a loja número 1

Loja 1 Matriz

Loja 1 Matriz

Loja 1 Matriz

Loja 1 Matriz

 

Foi no dia 8 de março de 1974, um sábado, que a primeira loja foi inaugurada. A população de São Roque rodeava o prédio, ansiosa em ver a novidade abrir suas portas. “Até hoje não esqueço o dia da inauguração da loja matriz, a multidão curiosa, os discursos das autoridades da época e o trabalho que tivemos durante toda a noite para encher as gondolas de produtos. Os setores que mais chamavam a atenção eram o açougue e a feirinha”, lembra Mingote. Naquele período já havia um concorrente, o Vem Ká Supermecados, que tinha se instalado na cidade há alguns meses. “Em tom de provocação eles enviaram um vaso de flores para nós neste dia, indicando que era para o enterro da nossa empresa, já que ela não teria futuro”, relembra Aristeu que, assim como Mingote, foi um dos fundadores. “Anos depois o Vem Ká tentou negociar a compra do São Roque, o que não foi aceito pelo grupo”.

A imprensa da época registrava o momento com o slogan “Supermercados São Roque - Este é nosso”

A imprensa da época registrava o momento com o slogan “Supermercados São Roque – Este é nosso”

O burburinho foi grande naquele dia. Entre os presentes estavam autoridades locais, convidados e as famílias fundadoras. Depois dos discursos e agradecimentos, a fita foi cortada e abriram-se as portas da primeira loja. Loja esta que se tornaria a matriz de uma rede no futuro. A imprensa da época registrava o momento com o slogan “Supermercados São Roque – Este é nosso”. E realmente era. O nome escolhido pelas famílias foi pensado não somente em homenagear a cidade, mas também seu santo protetor. “Foi um alvoroço quando surgiu o comentário de que abriria um supermercado novo, as pessoas torciam muito para que desse certo, porque era uma empresa fundada por pessoas daqui do município. E o São Roque sempre foi querido, o publico gostava de fazer compras, do ambiente da loja e da atenção dos funcionários”, recorda a esposa de um dos fundadores.

Os produtos expostos nas gondolas esgotaram-se na inauguração. A inexperiência do grupo gerou uma dúvida: como abrir a loja no dia seguinte, se as prateleiras estão praticamente vazias? Depois de uma madrugada inteira trabalhando para inaugurar com abundancia de produtos, aquele dia finalizou-se sem nenhum estoque. “Foram meses trabalhando para esta data, mas como estávamos iniciando um grande empreendimento, nosso calculo falhou. Tivemos lucro na inauguração, mas os produtos estavam quase esgotados”, conta um dos filhos do Zito. Foi então que surgiu a ideia de preencher as gondolas com sacos de ração de galinha no fundo e cobrir com os alimentos na frente para “mascarar” a ausência deles, enquanto compravam mais, em São Paulo.

“Sair de um armazém e uma adega para abrir um supermercado foi um grande passo para os sócios”, conta um dos dirigentes. O prédio da loja matriz, que inicialmente tinha 230 m², foi comprado e reformado para atender a demanda da época. “Dividimos os setores como açougue e hortifruti, compramos os equipamentos necessários, instalamos seis caixas e contratamos 31 funcionários para iniciar nossa atividade no ramo do varejo”, complementa, lembrando que aquela região ainda não era considerada centro da cidade, pois era vazia e sem comércios. “O supermercado também atraiu o desenvolvimento daquela área, depois que nos instalamos ali, outros comércios chegaram, o que causou a valorização daquele ponto”, finaliza.

Um ato de persistência

Se esta história merece uma palavra chave que represente hoje o pensamento de todos os fundadores, familiares e funcionários, esta palavra é “persistência”. No primeiro ano de vida do supermercado, uma crise instalou-se no negócio. Os sócios haviam criado uma rotina de comprar produtos, acrescentar o preço com uma margem baixa de lucro e revender. Na medida em que o estoque se esgotava, novas compras eram realizadas e assim sucessivamente. A questão é que neste período o país passava por uma revolução na economia e o preço dos produtos não era reajustado conforme a inflação, que naquele ano chegou a subir em 50%. Começaram a perceber que não havia retorno financeiro.

“Estávamos à beira da falência quando, um dia, meu pai chamou todos os sócios para uma reunião e disse que alguma coisa estava errada. A sugestão dele foi simples: descubram o erro e vamos corrigi-lo”, relembra um dos filhos do Zito. “O problema era que não tínhamos feito controle de nada, não havia balanço, o preço praticado estava abaixo do mercado e não acompanhava a inflação e, pior, não tínhamos mais dinheiro para investir”. Foi então que Zito deu o ultimato: “o dinheiro eu arrumo, mas vocês precisam fazer deste erro uma experiência para o problema não se repetir. O crescimento da empresa vai depender de vocês”.

Após esta conversa, Zito foi ao Banco Nacional de Minas Gerais e financiou a dívida do grupo. “Ele era uma pessoa de muita credibilidade na cidade, nenhum de nós conseguiríamos fazer um empréstimo no valor que ele conseguiu”, recorda Aristeu. “Ele entregou o crédito na nossa mão e, mais do que isso, nos incentivou a não desistir da empresa. Foi assim que ele reergueu o supermercado no seu primeiro ano de crise”, completa. Para Mingote, tudo isso aconteceu porque aquele foi um ano de transição para os sócios. “Estávamos tão acostumados a receber anualmente no armazém, que quando iniciamos com um supermercado ficamos empolgados em receber no ato. Parecia que entrava muito dinheiro diariamente na empresa, mas percebemos que, mesmo assim, não tinha lucro”, conta.

O ano de ascensão do supermercado foi 1975, quando começaram a aparecer os primeiros resultados de uma nova administração. O grupo era o mesmo, mas a visão era outra, mais madura e consciente. Segundo os sócios, a partir desta data o progresso foi natural. “A população de cidades vizinhas que frequentavam a loja matriz começaram a pedir novas unidades e abraçamos cada oportunidade que apareceu. Dentro do nosso potencial, crescemos bastante, mas, naquela época, o crescimento era para atender uma necessidade e hoje se tornou uma meta”.

Um dos primeiros funcionários registrados na empresa, Nelson Ribeiro do Prado Filho, também recorda com saudades o início de tudo. “A maior dificuldade no começo foi a falta do dinheiro, não existia verba para compra de equipamentos ou de veículos e a estabilidade demorou a chegar”. Para ele, o período de sobrevivência do supermercado durou muitos anos, pois havia muitas diferenças entre os sócios e nunca houve um planejamento para crescer. “Apesar dos problemas internos, tínhamos uma filosofia de não atrasar nenhuma conta, honrávamos nossas dividas, nunca prejudicamos nenhum fornecedor. O melhor de tudo é saber que até hoje é assim”.  Para Nelson, o que mantem o São Roque em pé 40 anos depois de sua inauguração é a honestidade e o empreendedorismo da atual diretoria. “A credibilidade que se criou no passado permaneceu e, apesar de ter trabalhado muito e sofrido mais ainda, eu tenho saudade daquela época”.

O crescimento

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Cinco anos depois da inauguração e já superada a crise inicial, em 1979, a segunda loja foi aberta no município de Mairinque. Mingote mudou-se para lá com a família, pois queria estar próximo do público e fazer parte da comunidade onde a empresa estava se instalando. O prédio foi alugado de uma igreja e neste mesmo lugar ficou durante anos no centro de Mairinque, até que surgiu uma nova oportunidade e, em 1983, foi transferido para o prédio atual.

“Desta mesma maneira, outras portas foram se abrindo e novas unidades nasceram. A terceira loja, o São Roque Gril, foi adquirida em 1983 de um grupo da cidade. Era uma loja concorrente que passou a fazer parte da rede”, conta o atual diretor, José Rodrigues Santiago Neto, o Zezinho, que neste mesmo ano ingressava na empresa como office boy. Aristeu, um dos fundadores, lembra que na época tinha medo da expansão do negócio. “Quando começamos com o supermercado, fiquei com muito receio de que não desse certo e, anos depois, continuei com medo do fracasso. Parece que foi de repente que começamos a crescer e atender toda a região de São Roque. Nada foi fácil nestes anos, mas, no fim, deu tudo certo”, menciona.

A quarta unidade foi inaugurada em Vargem Grande Paulista, em 1984, também adquirida de um concorrente local, chamado Supermercado Big. À beira da rodovia Raposo Tavares, esta loja atendeu os mais variados públicos e se tornou uma referencia naquela região. “Neste período a loja não era informatizada, mas nosso mix de produtos era muito bom, como é até hoje, e fazíamos muita entrega em domicílio”, detalha José. Já com quatro lojas, neste mesmo ano, a diretoria decidiu centralizar os serviços administrativos em um único escritório em São Roque. Sem a burocracia no dia a dia dos funcionários, cada loja começou a se dedicar mais na operação.

Outra oportunidade surgiu em São Roque em 1988. Desta vez uma nova loja se abriu na Avenida Brasil. Boa localidade, também na região central do município, atendendo moradores dos bairros que ficam nas proximidades. “O crescimento da empresa foi gradativo, cada unidade que inauguramos foi decorrente de uma necessidade. Não havia um planejamento para evoluir e não existia o sonho de se tornar uma rede de supermercados. Mas com a dedicação que tínhamos, foi natural crescer”, acrescenta o diretor, lembrando que durante muitos anos, os funcionários tinham várias funções diferentes, como fazer pedido, buscar a mercadoria quando era necessário e arrumar os produtos para exposição na madrugada, para a loja abrir com tudo impecável ao cliente. De acordo com ele, até este momento a empresa não investia seu capital dentro das próprias lojas. Não era necessário, já que um equipamento durava 20 anos e os prédios eram adquiridos novos ou reformados. Em 1986 alguém ofereceu um computador para os sócios e, o que até então era feito manualmente, poderia ser informatizado. “Isso foi um problema porque a gente não entendia de computador e nem o computador entendia a gente, foi um grande dilema decidir se colocávamos nossas informações naquela máquina ou não”, lembra o antigo funcionário Nelson. “A partir da década de 90 decidimos informatizar tudo. Quem estava acostumado a trabalhar manualmente foi resistente à implantação da tecnologia. Mas precisávamos avançar neste quesito”, acrescenta o diretor, Zezinho.

Em paralelo à modernização dos serviços, em menos de dois anos foram abertas mais unidades. Em 1990 foi a vez de Ibiúna receber o São Roque Supermercados. Com uma loja de amplitude significativa e, em uma localização privilegiada da cidade, a loja permanece até hoje no mesmo local. Em 1991 a empresa foi além, entendendo que esse era o momento de ampliar o atendimento em outras regiões, abriu uma nova loja na cidade da música, agora era a vez de Tatuí receber nossos serviços.

Em 20 anos nenhuma loja havia fechado e sete atendiam toda a região. “O São Roque já era considerado um sucesso, mas nem imaginávamos o que ainda estava por vir”, comenta o diretor. Em 2000 um Centro de Distribuição completo, que organizaria a logística da empresa e centralizaria todos os departamentos administrativos, foi inaugurado. A frota aumentou e, a partir daí, os produtos eram separados e enviados para cada loja de maneira mais controlada. A cidade de Avaré, a 300 quilômetros de distancia de São Roque, foi escolhida para abrir mais duas unidades, as bandeiras que atendiam o município naquela época, Gril e Kibarato, passaram a fazer parte do grupo São Roque, o que aconteceu em 2001.

Um dos filhos de Zito conta que a melhor decisão do grupo foi em 2003, quando os sócios decidiram rever a diretoria. “Fizemos uma reforma e, o que até então era administrado por uma família, passou a ser pela própria equipe da empresa. Não precisamos contratar consultor, os profissionais que formamos com nossos princípios assumiram o posto e são eles que dão resultado até hoje”. Reconhecido pelo grupo, pela seriedade e a dedicação durante 20 anos de trabalho, Zezinho foi convidado a liderar o São Roque Supermercados neste período. “Foi um desafio que não hesitei em assumir. Eu não sabia tudo, mas tracei uma meta para proporcionar melhorias na empresa. Fiz um planejamento e, antes de completar o prazo final, já tinha atingido meus objetivos. Claro, tudo feito em conjunto com a equipe, mas de forma organizada”, detalha Zezinho.

Em paralelo a tantas atividades, a atual diretoria que havia assumido recentemente, passou a investir dentro do próprio negócio, modernizando as lojas que precisavam de readequações. A primeira reforma foi na loja matriz, em 2004, que ganhou nova comunicação visual, maior amplitude e inovação nos serviços. “Com capacidade financeira e cada departamento assumindo sua função, consegui investir dentro do próprio supermercado e programar a abertura de uma nova loja por ano. Criamos o mínimo de planejamento para o crescimento da empresa”, recorda José. “Algumas vezes aproveitei as oportunidades que surgiram, mas a intenção era sempre estudar a praça e avaliar antes de atender uma nova cidade”, completa.

O avanço não parou por aí. Em 2005 foi inaugurada uma unidade em Salto, em um amplo espaço, numa região de bairros da cidade. Em 2007 foi aberta a segunda loja no município de Ibiúna, agora na entrada principal da cidade atendendo moradores e turistas. Neste mesmo ano, Vargem Grande Paulista também ganhou sua segunda loja, agora no bairro de Tijuco Preto, bairro residencial e conhecido pelos condomínios e loteamentos nos arredores. Em 2009, com 13 lojas, o Centro de Distribuição ficava pequeno e chegou o momento de ampliar ainda mais o depósito. Para produzir alimentos de marca própria, foi construída uma Padaria Central nas dependências do CD, onde são fabricados mais de 50 itens diferentes de panificação, diariamente. No ano seguinte, a cidade de Caucaia do Alto também recebia os serviços do São Roque, o que gerava mais uma expansão naquela região. Ainda em 2010, Boituva recebeu a bandeira São Roque e não demorou muito para que a cidade recepcionasse o supermercado mais uma vez e foi no mesmo período que inaugurou a segunda loja na cidade do paraquedismo.

Em 2012 o município de São Roque ganhou sua quarta loja nas proximidades do terminal rodoviário, mantendo a simplicidade e organização da marca em uma loja mais moderna. Com o crescimento e avanço na cidade de São Roque, foi identificado que um novo perfil de consumidor surgiu e o grupo, mais uma vez, inovou, criando o Leve Hortifruti na antiga loja Gril. Com esta marca diferenciada, o Leve possui produtos importados, cafeteria e adega completa, tudo em uma arquitetura prática e moderna. Além da rede de supermercados, no decorrer dos anos os sócios investiram em outros empreendimentos na cidade, como o Ski Mountain Park, Estação Estilo, Estação Brinquedos, Posto Aracaí e Pátio Corina.

O aumento no numero das lojas da rede não é a única meta da empresa. “Fazer a manutenção preventiva das unidades já existentes e a modernização continua, também é nosso foco”, diz Zezinho. Atualmente, o São Roque Supermercados gera 2.140 empregos, possui uma variedade de 10.300 itens nas lojas, produz 57 tipos de produtos na Padaria Central, tem um Centro de Distribuição responsável por toda a logística nas 17 unidades, que estão localizadas em São Roque, Mairinque, Ibiúna, Vargem Grande, Caucaia do Alto, Tijuco Preto, Boituva, Salto, Tatuí, Avaré e Salto de Pirapora “Ainda temos muita coisa para fazer pela empresa, mas olhando o passado vemos tantas outras que já fizemos, por isso considero esta uma história de sucesso”. O segredo que manteve o São Roque Supermercados numa linha de expansão nesses 42 anos “foi o trabalho feito com seriedade, o esforço e a filosofia da empresa. O nosso diferencial é que, sendo uma empresa familiar ou não, todos nós temos uma conduta séria. Respeitamos o cliente, trabalhamos com produtos de qualidade e preço justo”, finaliza o diretor.

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